Programa Itaú Social UNICEF encerra 2021 com aprendizados e conquistas de organizações de todo o país

É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…

Paulo Freire

Ao longo de 2021, o Programa Itaú Social UNICEF avançou em sua jornada de incentivo à educação integral e inclusiva de crianças e adolescentes e ao fortalecimento de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) de diferentes regiões do país. O ano foi tão intenso quanto desafiador, mas com conquistas a serem celebradas e cultivadas para os próximos 12 meses.

Foram realizadas novas etapas no processo que culminou com a seleção de 40 OSCs que, atualmente, encontram-se na fase de implementação dos seus respectivos Planos de Intervenção alinhados aos eixos do Programa e voltados para seus territórios, sendo acompanhadas e monitoradas por uma assessoria técnica especializada.

A equipe envolvida no Programa Itaú Social UNICEF acredita que a formação é importante, mas a produção de conteúdos e materiais também se tornou grande aliada para potencializar a circulação e a troca de conhecimentos. Para além do acompanhamento às OSCs selecionadas, foi criada a página Materiais de Apoio no site do Programa, que abriga conteúdos relevantes e com ampla abordagem, como textos, vídeos, podcasts e propostas de atividades, que podem interessar organizações, instituições, educadoras(es) e formadoras(es). 

Também foi lançada a revista Territórios em movimento, cujo objetivo inicial era complementar as ações formativas e oferecer suporte às 40 OSCs selecionadas ao dialogar com os eixos do Programa. Em formato digital, enfocando um tema central a cada edição, a publicação contém informações, reflexões e indicações de materiais audiovisuais que também são de interesse do público em geral. As edições, que estão disponíveis para leitura e download na página Materiais de Apoio, já abordaram temáticas como diversidade, desenvolvimento integral e desenvolvimento institucional.

Aprendizados e desafios

Letícia Moreira

Uma das inovações e conquistas que já podem ser vistas, em função do compromisso adotado com a equidade regional e dentro das regiões, é que o Programa hoje chega a municípios que nunca haviam sido alcançados. “O importante é que a gente não só elegeu os melhores Planos de Intervenção, mas olhamos para as OSCs que atuam em regiões de alta vulnerabilidade”, afirma Letícia Moreira, coordenadora do Programa pelo Cenpec.

Letícia também aponta outros desafios ligados à estrutura de cada OSC, que têm sido observados a partir da diversidade de organizações que estão participando desta etapa. “O planejamento e avaliação demanda certa estrutura das organizações, então as dificuldades existem. Também tivemos os desafios relacionados à situação da pandemia, que coloca a gente na necessidade do acompanhamento à distância. Conexão difícil com a internet, reuniões à noite. Mas temos conseguido envolver as organizações cada vez mais”, analisa.

Para Milena Duarte, coordenadora de Desenvolvimento Institucional de OSCs do Itaú Social, os primeiros seis meses do ciclo de 18 previstos para a implementação dos Planos de Intervenção foram desafiadores tanto pela novidade da proposta, quanto pela exigência de investimento de tempo e reflexão que fazem parte do processo.

Milena Duarte

Para ela, o tempo da reflexão precisa ser mais articulado e estratégico, com objetivo de definir melhor a proposta, as prioridades e, em muitos casos, ter que abrir mão de algo. “Sabemos que não é fácil, mas numa avaliação as organizações puderam identificar o que não poderia ser feito num espaço tão curto de tempo. Além desses aspectos, a retomada das atividades presenciais foi um ponto de muita celebração de todos nós, mas impôs ainda muitos desafios em termos de adoção das medidas de proteção e às vezes ter de dar conta do presencial e on-line, e num contexto socioeconômico tão desafiador, o que exigiu muita energia das organizações e para o Programa é fundamental reconhecer e respeitar esses tempos”, explica.  

Na sua avaliação, os próximos 12 meses desta etapa do Programa vão pedir mais trocas e um acompanhamento ainda mais cuidadoso com as OSCs para garantir que suas trajetórias sejam frutíferas.

Um acompanhamento mais próximo das organizações é um elemento bem rico para permitir que possamos conhecer mais sobre suas práticas e demandas, e assim promover respostas mais convergentes com essas expectativas. Outro ponto de destaque é a importância da cultura avaliativa para nortear as várias ações que a OSC desenvolve e que, no caso do Programa, é crucial para que possamos acompanhar e apoiar a OSC no alcance dos resultados previstos em seu Plano de Intervenção. Sabemos que não é um tema simples, que há organizações com maior prática e conhecimento acumulado na temática, mas para nós já é extremamente rico que elas vejam um valor no movimento que estamos construindo de formular matriz de resultados, instrumentos, práticas de coleta e análise sobre as ações que desenvolvem

Milena Duarte

Transformações e compromissos com o percurso

Meiry Coelho, facilitadora do Programa com atuação na região Norte e Nordeste, participou da etapa anterior do Programa e, com isso, acompanhou o mergulho que as organizações têm feito em seus processos de revisão, reflexão e formações para que pudessem avançar no desenvolvimento de ações na educação integral e fortalecimento institucional. “O Programa chama atenção para as organizações olharem com mais cuidado para os territórios, para criar estratégias para que a diversidade seja reconhecida e respeitada. Então quando pensamos que a criança e adolescente formulam também, escutamos essas vozes, damos condições para que essas vozes tenham espaço”, reflete.

Meiry Coelho

Segundo ela, as organizações têm mostrado cada vez mais abertura à escuta ao território, ao público atendido. Assim, os desafios têm sido superados no caminho e nos aprendizados já construídos. Ela celebra que as reflexões e formações têm despertado mudanças nas culturas organizacionais. “Vemos a consolidação de participação e autonomia comunitária nas suas ações. Nosso objetivo é de que a organização participe do território e esteja de portas abertas para os territórios também adentrarem nesse espaço. Muitas organizações no começo não estavam tão abertas a pensar seu modelo de governança, mas isso tem se transformado depois de passarem pelo Percurso Formativo”, diz Meiry.

Entre os pontos positivos frutos do percurso já realizado pelas OSCs ela destaca a abertura para pensar modelos de governança e o mergulho no conhecimento sobre monitoramento e avaliação. Além destes, coloca como ponto alto a questão da diversidade. “O se preparar para trabalhar com diversidade, inclusive na perspectiva do monitoramento e avaliação tem sido algo muito importante que já vemos. Pensar indicadores de raça, de gênero, indicadores geracionais para olhar para a diversidade do seu território e construir formas de trabalho, de atuação a partir da diferença”, conta. Algumas organizações, por exemplo, identificaram que seu espaço físico não era um espaço acessível para crianças com deficiência. Então podem agora buscar a adequação necessária.

“Termino 2021 com muita alegria e consciente que as organizações se refizeram, se repensaram, desenvolveram processos pedagógicos de atuação no território muito potentes, aperfeiçoando o olhar para o território. E embora a gente esteja no começo, a gente já vê articulação em rede entre as organizações que receberam o fomento situadas regionalmente”, diz.

Histórico

O Programa Itaú Social UNICEF foi lançado em julho de 2020, após um processo de reflexão e mudanças do Prêmio Itaú-UNICEF, com objetivo de aprofundar a formação de organizações que trabalham com educação integral e inclusiva de crianças e adolescentes e fortalecer organizações de diferentes regiões do país.

Em um primeiro momento, o Programa contou com a adesão de 1.719 organizações. Deste total, 1.529 participaram do Percurso Formativo, em que passaram por um amplo processo de formação, auto-análise, trocas com outras instituições e experiências, além de construírem Planos de Intervenção a partir dos eixos de atuação do Programa. Das 687 OSCs que finalizaram o Percurso Formativo, 40 organizações foram selecionadas para receber assessoria técnica e fomento financeiro de até R$ 100 mil para a implementação de seus Planos de Intervenção, o que deve ser concluído até o final de 2022.

Tags: