Olhar para si, mergulhar na sua história

O percurso formativo do Programa Itaú Social UNICEF iniciou-se no dia 31/08, com a abertura da Estação 1: Olhar para dentro. Confira a voz de parceiras(os) de jornada: as(os) mediadoras(os).

“Esse longo caminho que eu traço / Muda constantemente de feição […]
O importante é que nunca esquecerei / Que encontrar o caminho é meu empenho
Como posso saber de onde venho / Se a semente profunda eu não toquei?”

Sêmen” (Siba, Bráulio Tavares e Mestre Ambrósio)

No dia 31/08, iniciamos uma nova etapa do Programa Itaú Social UNICEF: o percurso formativo. A abertura aconteceu por meio de uma live boas-vindas, apresentada por Letícia Moreira e Mariana Cetra (CENPEC Educação), com a participação de Fernanda de Andrade Santos (Itaú Social) e Juliana Sartori (UNICEF). A partir daí, as OSCs que fizeram a adesão e foram consideradas aptas de acordo com o regulamento puderam ingressar no percurso formativo, que se desenvolverá no Google Sala de Aula.

O percurso é organizado em três estações, com focos e atividades distintas e complementares. O objetivo desse percurso é apoiar as organizações a refletir sobre suas trajetórias e atuações em torno da educação integral e inclusiva de crianças e adolescentes, promovendo a escuta dos territórios. 

Ao longo desse percurso, as organizações terão grandes parceiras(os) de viagem: as mediadoras e os mediadores do Programa. Essas educadoras e educadores, de diversas origens, perfis e experiências profissionais, apoiarão as OSCs nas atividades, promovendo reflexões, debates e práticas que darão subsídios para a elaboração de seus planos de intervenção nos territórios.

Sobre a diversidade no Programa e no corpo de mediadoras(es), confira a notícia “Passos diversos em um percurso coletivo“.

O primeiro passo deste caminho, a Estação 1, convida as OSCs a olharem para sua história, reverem sua missão, ideias e práticas em torno da educação integral e inclusiva promovida junto às crianças e adolescentes do território em que atuam.

Para Fernanda de Andrade, do Polo de desenvolvimento educacional do Itaú Social:

Fernanda de Andrade
Fernanda de Andrade

“A Estação 1 inaugura o percurso do Programa e é um convite para as organizações olharem para si, para as trajetórias que construíram e para como realizam suas ações, dialogam com seus territórios. É uma possibilidade de parada importante para todas as instituições, especialmente em um momento desafiador como o atual, mas que nem sempre cabe no nosso dia a dia, porém tem a capacidade de renovar e enriquecer nossa atuação institucionalmente, na relação com nossos profissionais, público e comunidade. Acreditamos que, com essa experiência, as organizações poderão compreender mais sobre a proposta e consigam mobilizar seus públicos para promover reflexões e proposições a fim de avançar no desenvolvimento institucional de crianças e adolescentes em cada contexto.”

Juliana Sartori, consultora de Projetos Educacionais no UNICEF, considera:

Juliana Sartori
Juliana Sartori

“O início do percurso formativo é marcado pela construção e reflexão coletiva sobre nossas histórias e da nossa atuação com crianças e adolescentes. Sabemos que, no contexto atual, os desafios das Organizações da Sociedade Civil têm sido diversos e a Estação 1 nos convida a resgatar um pouco da essência e missão da instituição. É uma oportunidade, portanto, de trilharmos juntos a jornada a fim de contribuir para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes em todo Brasil, com olhar de equidade e que acolha as diversidades. Temos muito o que aprender com cada organização que está com a gente e acreditamos que cada história é potente e pode inspirar e apoiar o desenvolvimento de outras organizações.”


Para falar um pouco mais sobre esse processo, conversamos com cinco mediadoras(es), representando cada uma das regiões presentes no percurso.

Um coral de vozes mediando olhares e escuta 

Nathalia Flores
Nathalia Flores

“O exercício proposto pela Estação 1 traz a ludicidade de voltar no tempo, lembrar o início, de como tudo começou, do porquê começou, das pessoas, dos valores, dos propósitos de cada instituição. Além disso, chama à responsabilidade de avaliar essa trajetória institucional reconhecendo os acertos, os desafios, as conquistas, os pontos de melhoria nessa jornada. É uma reflexão técnica cercada de afeto, de respeito pela história e pelo futuro das instituições nesses tempos tão desafiadores”, reflete Nathalia Flores, uma das mediadoras que acompanhará OSCs da região Norte

Pedagoga com habilitação em Supervisão e Orientação Educacional,  Nathalia tem 12 anos de experiência no desenvolvimento de estratégias educativas adaptadas às populações tradicionais amazônicas, gestão de projetos, construção de capacidades e articulação com poder público e sociedade civil, elaboração e revisão de conteúdos educacionais.

Bira Azevedo
Bira Azevedo

“Acredito que olhar para dentro, rever missão e trajetória são caminhos essenciais para seguir promovendo mudanças concretas na nossa sociedade. Neste momento, num mundo marcado por uma pandemia, é fundamental reconstruir o nosso fazer”, afirma Bira Azevedo, mediador da região Nordeste

Licenciado em Teatro pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Bira tem experiência em projetos das áreas de educação, arte e cultura com foco no desenho e implementação de metodologias, fortalecimento de práticas e desenvolvimento de pessoas, organizações e comunidades em todo Brasil.

“Tenho certeza que este caminho que estamos iniciando agora irá fortalecer a atuação das OSCs em seus territórios. O primeiro passo é esse – mergulhar na própria trajetória para se nutrir e crescer. Vamos lá!”, convida Bira.

Aline Velozo
Aline Velozo

Para Aline Velozo, mediadora da região Centro-Oeste, “retomar a própria história é um convite muito interessante. Assim as organizações têm a oportunidade de rever o que, como e por que desenvolvemos cada uma das ações dentro de nossa organização. Esse olhar que possibilita sermos coerentes com nossa missão e cumprirmos os propósitos do nosso projeto”, afirma.

Aline é educadora social com especialização em projetos e práticas educacionais. Licenciada em Educação Física e graduada pelo Seminário de Formação de Professores na Pedagogia Waldorf, pesquisa projetos, potências e saberes da escola e da cultura da infância. Psicopedagoga em formação, com cursos na área de Criatividade, Design para Sustentabilidade e Comunicação não Violenta, dedica-se também ao desenvolvimento de metodologias colaborativas para projetos no setor social.

Assista ao vídeo em que Aline se apresenta e fala um pouco mais sobre o caminho proposto na Estação 1.

Aline Veloso: mediadora do Programa Itaú Social UNICEF
Larissa Neri
Larissa Neri

“A Estação 1 convida a recordar a própria história, observar as nuances do caminho e os vínculos formados para reconhecer onde habita a chama de cada OSC neste momento”, define Larissa Neri, mediadora da região Sudeste. Bióloga, educadora e mãe, Larissa é movida por ações a serviço da vida na Terra. Trabalha em projetos de educação integral e liderança desde 2012, atuando como educadora no projeto Agroquintais, em escolas estaduais de Pindamonhangaba, no interior do estado de São Paulo. Também coordena projetos socioambientais junto à rede municipal de educação de Pindamonhangaba, liderando as equipes dos programas Escolas Sustentáveis, Rede de Aprendizagem e Inovação em Sustentabilidade (RAIS) e Heróis em Ação.

“Para que possamos zelar pelo voo das novas gerações, precisamos reconhecer nossas próprias asas, ter clareza sobre nossas próprias habilidades e valorizar nossos saberes e experiências. Afinal, só somos realmente capazes de oferecer aquilo que cultivamos. Para isso, precisamos nos escutar profundamente e permitir que tanto o que nos agrada como o que percebemos como necessidades de aprimoramento tenham voz e se expressem. Só assim seremos capazes de gerar propostas que realmente alcancem, com sensibilidade, espaços internos de nossos parceiros e participantes e criem raízes, construam alicerces e gerem frutos, mesmo quando nós não estivermos mais presentes”, reflete Larissa.

 Diane Boda
Diane Boda

Mas de que maneira a proposta da Estação 1 se relaciona com o trabalho das OSCs? 

“Nosso desafio é viver as individualidades em uma sociedade, coletivamente, e o “olhar para si” toma outras proporções quando pensamos e reconhecemos a potência que as Organizações da Sociedade Civil possuem na transformação que desejamos para o mundo, em especial aquelas que propõem educação integral com crianças e adolescentes”, ressalta Diane Boda, mediadora da região Sul.

Educadora, atriz e mestranda no Programa de Mudança Social e Participação Política na  Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), Diane já atuou nas Fundações Gol de Letra e CASA, coordenou a equipe de articulação do Programa Juventude Viva e participou de diversos projetos educativos e culturais.

“Não há mudança significativa em nossas trajetórias que não passe por revisitar quem somos, como agimos, como pensamos, e não deveria haver ação que não passasse também pela educação”, complementa a educadora, ressaltando o foco na inclusão e a valorização da diversidade no Programa.

É necessário ‘olhar para si’ e seguir com ações que garantam que ninguém ficará de fora da nossa transformação social, garantindo que nossas juventudes e infâncias encontrarão terrenos férteis para desenvolver-se e construir futuros compartilhados por todes. Não é só porque estamos atravessando este momento, mas é também porque estamos constantemente passando por transformações na sociedade e para trabalhar em relação a ela é necessário esse diálogo”, afirma Diane.

Bom início de percurso a todes!


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